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Não Existe Competição Santa

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NÃO EXISTE COMPETIÇÃO SANTA

Fonte: Revista Vinha

A igreja deve edificar pelo espírito de cristo e não pelo espírito de competição

Muitos pastores, díscipuladores e líderes tentam motivar seus discípulos pela competição. Mas isso não é correto, não está de acordo com a palavra de Deus. A competição pode ser uma forma válida de interação no mundo, mas não dentro da igreja. Vemos em Jo 4.1-3, que o Senhor Jesus fugiu da competição e não permitiu que os fariseus o comparassem com João batista. João batista também não aceitou nenhum espírito de competição (Jo 3.26-30). Em jo 3.27, João batista disse: “O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu”. Tudo que você tem foi Deus que lhe deu. Tudo que o irmão tem foi Deus que deu para ele. Mas ainda assim há irmãos que pensam que estão competindo.

Existem até pastores que pensam que algumas igrejas competem com outras. Não devemos olhar para outras igrejas como competidores, somos todos irmãos, trabalhamos do mesmo lado, lutamos contra o mesmo inimigo, edificamos o mesmo reino de Deus. Há irmãos que competem dentro da mesma igreja, líderes de células chateados com outros que estão “roubando” membros de suas células, membros que perguntam de que rede a pessoa é e ajudam apenas se for da mesma rede que ele. Isso é errado, é competição, é pecado. Com esse espírito de competição, as redes dos pastores e discipuladores viram times, uma competindo com a outra para ver quem fecha o encontro primeiro, quem batiza mais.

Muitos lêem Jo 3.30 e acreditam que essa verdade aplica-se apenas ao senhor Jesus: “É necessário que ele cresça e que eu diminua”. Mas, nesse texto, João batista está falando como companheiro de ministério de Jesus. Creio que João quis dizer: “É melhor que ele seja mais santo do que eu, contanto que eu seja tão santo quanto devo ser”. Não vemos irmãos com essa mesma postura, que têm a disposição de passar células ou membros para outros para ajudar a fortalecer a célula ou rede deles. Todos nós somos um time só e não adianta um apenas ser craque se o time perde; todos nós precisamos crescer e avançar.

Muitos argumentam que uma competição santa pode ajudar o reino de Deus a crescer. O problema é que o espírito de competição não está de acordo com o Espírito de Cristo. Quando permitimos que esse espírito de competição entre em nosso coração, isso começa a contaminar o ambiente espiritual e o ambiente de edificação se perde. De nada adianta levar a igreja a crescer se as pessoas continuarem com o espírito do mundo, não se parecerem com Cristo. Por meio do espírito de competição, o diabo tem oportunidade para entrar em nosso meio. Onde existe competição, existe ego; onde o ego se levanta, o diabo tem espaço para entrar. Saul é um exemplo de alguém que deixou levar pelo espírito de competição e o resultado é que um espírito maligno entrou em sua vida por causa disso, conforme 1 sm 18.7-10.

O resultado da competição

Você deve se perguntar: “Qual o problema de permitir o espírito de competição dentro da igreja? O importante não são resultados?” Isso quem diz é o diabo. Para Deus, a maneira como alcançamos algo é tão importante quanto os resultados. Precisamos alcançar o alvo da maneira de Deus e não da nossa maneira. O primeiro problema da competição é que ela faz surgir a inveja porque o seu alvo é descobrir que é o melhor. A inveja é do diabo, a admiração é de Deus. Em Tiago 3.16, está escrito: “Porque onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda a obra perversa”. A segunda conseqüência é que a competição produz sectarismo, uma vez que separa os irmãos em vez de uni-los. Em terceiro lugar, a competição produz o orgulho de se achar melhor. Não se espera que os que vencem uma competição sejam humildes, pois eles se vangloriam em suas próprias habilidades. No meio de uma competição, não se vê generosidade ou bondade, mas cada um busca intensamente seus próprios objetivos. Em uma competição, quem perde nunca é amigo de quem ganha. Em 1969, a Guatemala entrou em guerra contra Honduras por causa de uma partida de futebol!

O espírito de competição não produz os frutos do espírito (gl 5.22). Na verdade, os frutos do espírito são incompatíveis com uma competição, pois ela produz provocação, difamações, suspeitas malignas dos irmãos, dolo, engano e contendas. No meio da competição, não dá para ser paciente e longânimo com o irmão. Competição não combina com espírito de servo; não vemos adversários servirem outros competidores.

Os frutos da carne podem ser divididos em três grupos (gl 5.19-21). Há o grupo dos desejos sexuais, que são prostituição, impureza e lascívia. Há o grupo dos desejos de comer e beber, que são bebedices e glutonaria. E há o grupo maior, dos pecados de relacionamento: idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções e invejas. Observe como esses últimos estão intimamente associados com qualquer competição. Sem eles, uma competição sem graça, porque sem carne não há competição. Os frutos da carne estão ligados á competição; por isso, não podemos edificar a igreja com esse construir relacionamentos, mas não é a maneira de Deus de edificar sua igreja.

 Motivação encorajadora

Nossa motivação não pode ser a de querer ser o melhor, o “mais”. Não existe problemas em elogiar e em receber elogios, mas quando consideramos um como melhor de todos, estabelecemos um ranking. Há muitos irmãos que querem ter a melhor célula, ser o melhor líder, o melhor discipulador, o melhor pastor, ter a melhor rede. Quando desejam  isso, é porque estão movidos pelo espírito de competição. Esse espírito pode até motivar por um momento, mas não resultará em uma edificação genuína, porque esse não é o espírito de cristo.

Como líder, você deve estar perguntando: “pastor, como podemos motivar os irmãos sem levá-los a competir uns com os outros?” A competição não é forma bíblica de levar os irmãos a avançarem. O padrão de Deus para edificar a igreja está em Fp. 2v.3-7. Nesse texto, temos a descrição do espírito de cristo, que é completamente oposto ao espírito de competição. O padrão de Deus não é motivar pela competição, é motivar pelo encorajamento, pela motivação encorajadora. Precisamos ser motivados pelo testemunho do outro que nos encoraja. Paulo motivava elogiando e testemunhando, como vemos em 2Co. 8 e 9. Há aqueles que não motivam, apenas pressionam. Ao invés de encorajar, colocam um fardo nas costa. Isso não é motivar. Ganhar almas não pode ser um fardo; multiplicar células não pode ser fardo; alvos de crescimento não existem para ser fardo; devemos fazer tudo isso com alegria.

Antes de Jesus fazer qualquer coisa, o pai lhe disse: “esse é meu filho amado”. Somente por sermos filhos de Deus, já somos o prazer d’Ele, somos amados pelo senhor. Muitos crentes possuem o complexo de lia. Ela pensava que se tivesse um filho teria o favor do marido. Muitos irmãos imaginam que só serão amados por Deus se gerarem mais filhos. O senhor deseja que sejamos como Raquel, que sabia que era amada, mas que queria ter filhos porque era o encargo do seu coração e sabia que esse era seu propósito do senhor. Deus quer que tenhamos frutos, mas não precisamos conquistar o amor d’Ele porque este já foi derramado em nossos corações.

O que o motiva? Se você fosse descrever em uma única frase o propósito principal e mais sublime de sua vida, que frase seria? A coisa mais sublime que existe é viver para fazer a vontade de Deus. Lembre-se de que nós não temos sonhos. Nossos sonhos são de Deus. O que mais agrada a Deus? Nós pensamos que ganhar cada vez mais vidas é o que mais agrada a Ele e, por causa disso, vivemos debaixo de pressão e angústia. A prioridade do coração de Deus não é o que você faz, mas quem você é (Rm 8.28-29). O propósito não é apenas gerar filhos, mas trabalhar para que todos os filhos sejam colocados na forma que é JESUS. Deus deseja muitos filhos semelhantes a Jesus.

O segredo da multiplicação é a intimidade. Para que Adão cumprisse o propósito de Deus, ele precisava comer da árvore da vida e ter comunhão com Deus na viração do dia. Se conhecemos a graça e vivemos nela,produziremos muitos frutos. O diabo sempre procura trazer acusações levando-nos a fazer muitas coisas e desviando-nos da nossa relação com Deus. Ser servo de DEUS não é trabalhar para Deus, mas ter Deus sendo trabalhando em nós (Cl. 1.23-29). Alguns motivam pela competição comparando um com o outro e exaltando um em detrimento do outro. Não use seus liderados como trampolim para o seu sucesso motivando pelo espírito da competição. Tenha a motivando-os correta de ver seus filhos serem aprovados por Deus. Tenha intimidade com o senhor e você gerará muitos frutos (2Co. 13.6-10).

Sucesso e fama

Precisamos definir nossa real motivação para fazer a obra de Deus. E para isso, devemos tomar cuidado com algo que cerca os pastores, discipuladores e líderes: a busca pelo sucesso e pela fama. Alguns ministros de Deus ficam esperando que o sucesso e a fama cheguem a suas portas. Ele não entendem que foram chamados para uma grande obra, mas uma obra que não é deles, é de Deus. Muitos não possam essa revelação e anseiam pelo dia em que serão reconhecidos como grandes líderes. Quem deseja e pensa isso, está pensando de si além do que convém. Somos apenas os cooperadores que o senhor escolheu, instrumentos nas mãos d’Eles.

Você deve estar se perguntando: “então não podemos ter sucesso no reino de Deus?” claro que podemos! Um exemplo de alguém que obteve sucesso é Paulo: “combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora,a coroa da justiça me está guardada, a qual o senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vida” (2 Tm. 4.7-8). Esse texto nos mostra que Paulo teve sucesso, que foi um vencedor,que obteve êxito em todos os projetos estabelecidos por Deus para sua vida. No reino do senhor, o verdadeiro sucesso é fazer a sua vontade. O sucesso de Paulo foi pregar o evangelho por toda a Ásia em maio a perseguições, naufrágios,prisões,açoites,tormentas,fome,fio,solidão. Quando realmente estão dispostos a passar o que Paulo passou para ter baseado em nossos talentos e feitos. Nossos discípulos devem nos imitar na medida em que imitamos cristo, e não nos idolatrar(1Co. 11.1)

Muitos ministros fracassaram porque vivem na alma, não dependem do espírito, não procuram conhecer a vontade de Deus, não buscam a glória do senhor, e sim a sua própria glória. Existem líderes que quando começam a liderar dizem: “serei o melhor líder de célula”. Não é  errado desejar ser o melhor, o erro está em querer ser o melhor para si próprio, para competir e não porque anseia em dar o melhor para o senhor. Quando a motivação dele é errada, sua célula não cresce; ele frustra-se e, em alguns casos, até desiste. Tudo isso ocorre porque não teve revelação de que a célula não é dele, ela é de DEUS.

Depois do sucesso, muitos ministros começam a buscar a fama, o desejo de ser reconhecido, de ser exaltado. A fama no meio da igreja é algo sutil e, muitas vezes, imperceptível e pode vir atrás de um título, de uma função. Temos que avaliar a motivação em nossos corações. Se desejamos ter crescimento e sucesso em nossas células para receber elogios e ser reconhecidos, é porque temos buscado a fama. O sucesso e a fama nos assediam constantemente. Para não cedermos a essa   tentação, precisamos entrar no princípio de Paulo: “já estou crucificado com cristo; e vivo,não mais eu, mas cristo vive em mim”(Gl.2.20). Precisamos da revelação de que somos cooperados, cristo é o centro das atenções. Ele é o foco. A busca pela fama e sucesso é porque está competindo com seu irmão. O espírito de competição precisa ser percebido e removido do nosso meio. Precisamos honrar uns aos outros e ser suporte para nossos irmãos. Que possamos deixar de querer ser “o cara” no reino de Deus e que tenhamos a humildade de ser mais um na cooperação do crescimento dos irmãos e da obra do senhor.



Data: 26/12/2011
 
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